A Rede de Pesquisa Geografia das Águas no Brasil lamenta a morte de Isabelle Caracristi, jovem de 22 anos filha da Prof. Dra. Isorlanda Caracristi, encontrada morta na casa do namorado. Compartilhamos anexo um manifesto de solidariedade e reiteremos a necessidade de investigações e justiça.

Baia de Guajará, Belém (PA). 2022.
Foto: Carlos Alexandre Bordalo
Sobre a Rede Geografia das Águas
A Rede de Pesquisa Geografia das Águas nasceu durante o XIV Encontro Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia, no ano de 2021.
Durante o encontro, docentes e pesquisadores da área da Geografia, que possuem importante trajetória acadêmica relacionada ao tema Água, viram a oportunidade de criar a Rede para fortalecer intercâmbios institucionais e com a sociedade civil, a fim de ampliar pesquisas e articular ações voltadas às águas do Brasil. Após o encontro, pesquisadores de outras áreas integraram a Rede.
EQUIPE
A Rede é formada por docentes, pesquisadores de pós-doutorado, estudantes de doutorado e mestrado, totalizando 25 membros. Certificada pelo CNPq, está sediada no Laboratório de Geografia Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/SP).
Por que criar uma Rede de pesquisa sobre Água?
Diversos órgãos internacionais apontam que o acesso à água está entre os maiores desafios do século XXI. O aumento da demanda é mais intenso do que o crescimento populacional, e ocorre em diferentes locais, muitos dos quais já enfrentam dificuldades para prover o acesso à água com qualidade e quantidade adequadas à sociedade. O Brasil, apesar de dispor de elevado volume de água per capita, não está distante deste cenário.
A maior parte das reservas de água no Brasil estão na Amazônia, onde vivem cerca de 10% da população do país. Além disso, a oferta de água de qualidade à população é um problema em diversos centros urbanos. No semiárido brasileiro, a escassez de água também é recorrente. Nesse cenário diversificado, garantir a segurança hídrica da população brasileira é um desafio que deve ser acrescido dos outros usos da água, como: a geração de energia; insumo produtivo na agricultura e na indústria; lazer; pesca; manutenção de serviços ambientais e ecossistêmicos, entre outros.
Esse contexto deve ser avaliado frente às incertezas que as mudanças climáticas projetam, com a maior ocorrência de eventos extremos, que podem resultar em chuvas mais intensas, o que dificulta o armazenamento da água, e em secas mais agudas, cujas consequências também são graves.
Ao longo das últimas três décadas, o Brasil edificou um sistema de governança da água que, nos últimos 5 anos, vem sendo afetado por alterações em sua estrutura. É necessário avaliar os efeitos dessa situação, a partir de um processo que envolva a sociedade. Somente com a elaboração de consensos na sociedade brasileira, será possível enfrentar os desafios para garantir o direito humano à água e ao saneamento à população do Brasil.
Por fim, acrescenta-se a importância do compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS's) e a expectativa de ações de governos, inclusive do Brasil, em busca da garantia do acesso à água de qualidade até o ano de 2030.
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